quarta-feira, 12 de abril de 2017

A poesia do envelhecer

            Como vemos a velhice? Como ensinamos às nossas crianças o que é ser velho?  




          No ocidente, temos um forte preconceito com a velhice, tentamos buscar ao máximo meios de prolongar a juventude, negamos a velhice  e não percebemos que esse comportamento nos leva a uma dificuldade em encontrar espaço social e sentido para a existência dos nossos idosos. No oriente, ao contrário,  a figura do velho geralmente é símbolo de sabedoria e a ele cabe a transmissão da cultura. 
       Se pensarmos que para Jung, o desenvolvimento se dá do início até o fim da vida,  "um ser humano não viveria até os 70 ou 80 anos de idade, se essa longevidade não tivesse sentido para a espécie. O entardecer da vida deve possuir um significado especial e não pode ser considerado um mero apêndice lamentável do amanhecer da existência".       
          Rubem Alves já dizia: "A velhice tem  sua beleza, que é a beleza do crepúsculo. A juventude eterna, que é o padrão estético dominante em nossa sociedade, pertence à estética das manhãs. As manhãs têm uma beleza única, que lhes é própria. Mas o crepúsculo tem um outro tipo de beleza, totalmente diferente da beleza das manhãs. A beleza do crepúsculo é tranquila, silenciosa – talvez solitária. No crepúsculo tomamos consciência do tempo. Nas manhãs o céu é como um mar azul, imóvel. No crepúsculo as cores se põem em movimento: o azul vira verde, o verde vira amarelo, o amarelo vira abóbora, o abóbora vira vermelho, o vermelho vira roxo – tudo rapidamente. Ao sentir a passagem do tempo nos apercebemos que é preciso viver o momento intensamente. Tempus fugit – o tempo foge – portanto, carpe diem – colha o dia. No crepúsculo sabemos que a noite está chegando. Na velhice sabemos que a morte está chegando. E isso nos torna mais sábios e nos faz degustar cada momento como uma alegria única. Quem sabe que está vivendo a despedida olha para a vida com olhos mais ternos..."
          Por isso, o convívio intergeracional vem acrescentar muito à educação de nossas ciranças! Os avós podem mostrar valores aos netos que atualmente encontram-se adormecidos:
  • O valor da tranquilidade e contemplação no lugar do imediatismo e do interesse, 
  • O valor da espontaneidade de sentimentos, por meio de um sorriso que marca rugas no rosto, no lugar de um sorriso estético para um selfie perfeito,
  • O valor de apreciar  e interagir com a natureza, tendo hábitos de vida mais saudáveis,
  • O valor de consertar e dialogar, no lugar de descartar e trocar, 
  • O valor de fazer algo com as próprias mãos, algo repleto de sentimento e originalidade, que não se compara a adquirir algo de qualquer marca famosa, 
  • O valor da experiência, de escutar, aceitar e aprender com pontos de vistas diferentes,
  • O valor de, mesmo com possíveis limitações físicas da velhice, encontrar e cultivar sua criança interior, aquela que nunca vai deixar de sonhar !
          "Naquela noite o vovô lhe contou uma bela história
Imaginou quanta coisa ele guardava na memória
Pois se a vida do menino já tinha páginas para mostrar
A do vovô estava repleta de coisas para ensinar"

Trecho retirado da história: "O Livro do Vovô" de minha autoria.


         

domingo, 2 de abril de 2017

Pedrinhas do Coração

            O que fazer quando não conseguimos aceitar as atitudes dos outros ou ficamos magoados com alguém? 
           Foi pensando nisso que surgiu a poesia: Pedrinhas do Coração.
           Cada mágoa que guardamos de alguém, por mais que não admitamos, vai criando pedrinhas em nosso coração, a vida vai ficando pesada.
           Mas por que é tão difícil perdoar? Será que é por que não aceitamos as pessoas como elas realmente são, com seus defeitos e qualidades? Será que também não erramos?
          E quando finalmente resolvemos tirar essa pedra do coração vem a parte mais difícil... falar com quem nos magoou... talvez pedir desculpas.
          Muitas vezes essa pedra só se transformará em um cristal, capaz de refletir muitas cores, se tivermos compaixão.
          Acredito que nascemos para o amor, por isso o rancor nos faz tão mal! Então cultivemos o amor!
          "Percebeu que a raiva não valia a pena
Melhor era ser alegre e serena
Os erros dos outros saber perdoar
E estar disposta a todos amar"
Trecho do livro: Pedrinhas do Coração.

      E para finalizar, um pensamento do mestre Rubem Alves sobre como os sentimentos ruins podem nos ajudar: "Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira".